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São Cosme e Damião, a data doce que é marcada por celebrações

Os santos são considerados protetores dos pequenos, por isso, alguns devotos e simpatizantes distribuem doces e guloseimas como forma de homenageá-los ou cumprir promessas

Aline Machado

 

(Foto: Google) São Cosme e Damião e Doum. Os santos são considerados os protetores das crianças

Não dá para pensar no Dia de São Cosme e Damião sem lembrar das crianças, não é mesmo? Celebrada nesta terça-feira (27), a data é marcada por diversas tradições em algumas regiões do país.

A distribuição de doces é a forma de festividade mais conhecida. Os santos, gêmeos são considerados protetores dos pequenos e por este motivo, alguns devotos e simpatizantes distribuem doces e guloseimas como forma de homenageá-los ou cumprir promessas.

Com problemas para engravidar, a professora aposentada Maria Augusta Marques, 64 anos, recorreu aos santos protetores das crianças, e distribui doces há 22 anos para pagar uma promessa.

A história da professora começou quando ela encontrou um par de sapatinhos de criança, exatamente no Dia de São Cosme e Damião.
E sua promessa, ela encheu um deles com bala e deixou em uma pracinha de Vila Velha. A notícia de que estava grávida veio um ano depois. E, ela voltou ao local para deixar o outro par.Em agradecimento, ela distribui doces anualmente.

“Eu queria muito engravidar e não conseguia, então resolvi fazer a promessa, pois São Cosme e Damião são protetores das crianças. Um ano depois da promessa, recebi a notícia de que estava grávida e desde então comecei a distribuir doces todos os anos”, conta.

Maria Augusta sofreu um acidente de trânsito em junho, e precisou contar com a ajuda da filha e de outros familiares para organizar os doces neste ano. Mas, não deixou de fazer a distribuição.

A Mãe de Santo Eliane de Ogum também não deixa de homenagear as crianças. Diferente de Maria Augusta, que é católica, a mãe de santo faz a distribuição de acordo com a tradição umbandista. Segundo ela, na religião os santos também cumprem a função de protetores das crianças e a distribuição de doces é uma maneira de representar todas elas.

“São Cosme e Damião são santos que a igreja católica colocou como protetores das crianças e na umbanda eles também são considerados assim. O que mais representa uma criança é o doce, a doçura e o amor que ela traz, por isso temos o hábito de fazer a distribuição”, explica.

Apesar de ser bem antigo, o costume ainda é mal visto e sofre preconceito por parte de algumas pessoas. Segundo a mãe de santo, a intolerância religiosa ainda é um grande problema, por isso eles optam por fazer festas e comemorações mais reservadas.

“Hoje em dia se tornou inviável por causa do preconceito e intolerância religiosa. Muitas vezes podemos sair na rua e ter carros apedrejados, como já aconteceu uma vez. Por isso, preferimos algo reservado, só mesmo para quem quer e sabe do que se trata”, conta.

Comemoração em Guaçuí

Em Guaçuí, a data também será comemorada. Apesar de não ser dia de reza no terreiro do Pai de Santo Waldecy Santana da Silva, ele fez questão de celebar a data nesta terça-feira (27) mesmo. A celebração será nesta noite.

A história de São Cosme e Damião

São Cosme e São Damião nasceram na cidade de Egéia, na Arábia, por volta do ano 260. Eram gêmeos, filhos de família nobre. Sua mãe, Teodata, ensinou-lhes a fé cristã. E ensinou-lhes de tal forma, que Jesus Cristo passou a ser o centro de suas vidas.

Vida de São Cosme e Damião
Cosme e Damião foram estudar na Síria, na época, um grande centro de estudos e formação. Lá, os gêmeos se especializaram nas ciências e na medicina. Tornaram-se médicos famosos pela competência, obtendo grandes sucessos nos tratamentos, como também na caridade para com os doentes.

São Cosme e São Damião, a medicina que leva para Deus

Por causa da profunda formação cristã que tiveram, os irmãos, vivendo num mundo paganizado, decidiram atrair as pessoas para Jesus Cristo através do exercício da medicina. E faziam isso não de maneira impositiva ou constrangedora, mas, principalmente, através da caridade, do amor e da competência. Como uma forma de amenizar o sofrimento dos doentes, os irmãos distribuíam doces aos enfermos sob seus cuidados.

Além disso, eles não cobravam por seus serviços médicos. Por esta razão espalhou-se a ideia de que os dois gêmeos médicos não gostavam de dinheiro. Não era bem isso. Na verdade, os dois eram grandes almas que sabiam dar ao dinheiro o seu devido lugar. Eles queriam curar as pessoas no corpo e na alma, levando a elas também os ensinamentos e a salvação de Jesus Cristo. Por este motivo, São Cosme e São Damião são os padroeiros dos médicos, das faculdades de medicina e dos farmacêuticos

A perseguição contra Cosme e Damião
Na mesma época em que eles trabalhavam e ensinavam em nome de Jesus, o imperador Diocleciano lançou uma grande perseguição contra os cristãos. E o local onde eles viviam era dominado pelos romanos. Por isso, eles foram presos sob a acusação de feitiçaria e de espalharem uma seita proibida pelo imperador. O imperador odiava os cristãos porque eles desprezavam os deuses romanos e adoravam somente Jesus Cristo.

Cosme e Damião foram tirados violentamente do local onde atendiam os doentes e levados ao tribunal. Lá, foram acusados de feitiçaria, por curarem os doentes e de pregarem uma seita proibida. Ao serem questionados sobre isso, responderam: Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo, e pelo seu poder. Ele é o Filho de Deus que veio a este mundo para salvar e para curar. No tribunal, foi exigido deles que renunciassem à fé em Jesus Cristo e começassem a falar aos pacientes sobre os deuses romanos. Eles se recusaram, não renunciaram aos princípios do Evangelho e por isso foram duramente torturados.

Martírio de São Cosme e São Damião
Cosme e Damião foram condenados à morte por apedrejamento e flechadas. Tudo foi preparado, então, para a execução da pena. A pena foi executada por carrascos experientes. Os santos irmãos gêmeos, porém, não morreram. Então, o magistrado ordenou que fossem queimados em praça pública. Executaram a sentença, mas o fogo não os atingiu. Cosme e Damião não paravam de louvar a Deus por estarem sendo dignos de sofrerem por Jesus Cristo. Os pacientes que eram atendidos por eles, que ainda não tinham se convertido, se converteram ao verem essas coisas. Os soldados decidiram afogar os dois, mas eles foram salvos por anjos. Por fim, a mando do magistrado, os torturadores lhes cortaram as cabeças.

Devoção a São Cosme e São Damião

Cosme e Damião foram sepultados pelos pacientes que tinham sido curados por eles. Mais tarde, seus restos mortais foram transladados para uma Igreja dedicada a eles, construída pelo Papa Felix IV, em Roma, na Basílica do Fórum. Lá e em toda a Igreja, eles são venerados como santos mártires, ou seja, morreram por testemunharem sua fé em Jesus Cristo e não renegarem esta fé. A festa de Cosme e Damião é celebrada no dia 26 de setembro.

Cosme e Damião no Sincretismo-Os Ibejis

No Candomblé e na Umbanda, o dia de Cosme e Damião é 27 de setembro. Nessas crenças, eles são conhecidos como os orixás Ibejis.São filhos gêmeos de Xangô e Iansã. Os devotos e simpatizantes têm o costume de fazer caruru (uma comida típica da tradição afro-brasileira), chamado também de “Caruru dos Santos” e “Caruru dos sete meninos” que representam os sete irmãos (Cosme, Damião, Dou, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi), e dar para as crianças.

Na Igreja Ortodoxa, os santos são celebrados no dia 1º de novembro. Já os ortodoxos gregos comemoram em 1º de julho.

São Cosme e Damião também são considerados protetores dos gêmeos e das crianças. Por isso, as pessoas criaram o costume de distribuir os doces para homenagear os santos ou cumprir promessas feitas a eles.

Quem é Doum?

Uma característica marcante na Umbanda e no Candomblé em relação às representações de São Cosme e São Damião é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com até sete (7) anos, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade.

Entre os adeptos da Umbanda, reza a crença de que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna neste mundo. Mas, embora não apareça de forma física, Doum também é venerado e respeitado como parte da família dos Ibejis, considerado “aquele que não veio”. Por isso, o mito de Doum também serve de consolo quando uma criança morre bebê ou ainda no ventre materno. Nesses casos, a partida é entendida como o retorno de um desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiu se despedir. Mas por serem considerados espíritos infantis, os ibejis são muito confundidos com os erês, que na verdade são espíritos intermediários, mensageiros.

QUEM É DOUM? Era filho de uma empregada da família dos gêmeos, Cosme e Damião e que morreu no dia seguinte ao martírio dos irmãos, e foi levado por eles que o amavam muito. É comum nas estampas de Cosme e Damião se incluir a figura de uma outra criança, que representa Doum.

(Fonte: Folha Vitória/EBC/ Ordem Mística e Regeneração)

  • Escrito por Jornalismo 90.5 FM
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